Sagarana: nove contos de uma obra regionalista

Sagarana: nove contos de uma obra regionalista

Um dos maiores escritores da literatura brasileira, o mineiro João Guimarães Rosa, nasceu à Cordisburgo em 27 de junho de 1908 e faleceu no dia 19 de novembro de 1967, aos 59 anos na cidade Guanabara, Rio de Janeiro. Além de escritor, foi diplomata, novelista, contista e médico.




Suas produções literárias são inovadoras. Elas retratam o cenário de um Brasil rural por meio da exploração da linguagem, utilizando-se de neologismos para reunir temas como o destino, a vida, a morte e a religião em uma única obra. Dessa forma, reinventando a língua portuguesa e criando uma nova realidade da vida sertaneja.

Alguns sucessos

Entre inúmeros contos e romances, Corpo de Baile (1956), Grande Sertão: Veredas (1956) e Sagarana (1946), são consideradas as maiores criações do autor. Foi com a publicação desta última que o regionalismo passou a ocupar um lugar dentro da história da literatura nacional. O livro traz nove contos, sendo seis narrados em terceira pessoa, eles: O Burrinho Pedrês, A Volta do Marido Pródigo, Sarapalha, Duelo, Conversas de Bois, A Hora e a Vez de Augusto Matraga. E três, São Marcos, Minha gente e Corpo Fechado, contados em primeira pessoa.

Sagarana tem cenários voltados para o sertão. Os personagens presentes em todos os contos são gente humilde, lavradores, moças do campo e até burrinhos de cargas. A grande maioria é movida a crenças, por isso, vivem em conflito com o ser humano e com o destino que o espera. Burrinho Pedrês ou sete de ouro, por exemplo, é um burrinho já idoso que serviu para a montaria de um dos vaqueiros.

A trama se passa na fazenda de Tampa, no interior mineiro. O conflito se dá quando Silvino ao descobrir que Badu está se engraçando com uma moça que ele gosta, decide matá-lo durante a vaqueirama atiçando um touro. Badu, pela experiência que tem de lutar com gado, consegue dominá-lo. Ao retomarem da viagem os vaqueiros se afogam. Apenas Badu, Francolim e o burrinho pedrês acabam escapando.

Nesse conto o contexto sertanejo, as palavras inventadas pelo escritor e termos regionais, analisados dentro de um pano de fundo psicológico, traz o mundo para dentro do sertão. Logo, O Burrinho Pedrês torna-se uma narrativa longa e sua grandeza vai além da leitura. Já no A hora e a Vez de Augusto Matagra percebe-se a contextualização com coisas muito próximas, muito vividas e familiares em que a violência, a vingança e o misticismo predominam numa luta entre o bem e o mal.

Dessa maneira, a realidade crua do sertão e a riqueza dos dados linguísticos nos permite entrarmos neste universo de paisagens mineiras, de magias e de duelos. Mas, além dos referidos contos, todos os outros pertencentes à Sagarana, são um retrato físico, psicológico e sociológico, em que o espaço rural toma conta do texto e as questões místicas que moram nos corações dos personagens corresponde à realidade de uma vanguarda local no interior de um País de espírito inovador.

Nesse contexto, a vivência do Doutor Rosa, a sociedade  nordestina abordada nas obras de Raquel de Queiroz e a crítica social de Graciliano Ramos demonstram uma nova tomada de posição na literatura brasileira, que se contempla com outras obras de grandes ficcionistas modernos como José Lins do Rego, José Américo de Almeida e outros que fizeram dessa literatura a oportunidade de renovação nos romances, nos contos, nas poesias, nos poemas e em outros gêneros do campo literário.

Assim, a ficção regionalista do livro  dialoga com a manifestação literária do século XX. E destina-se a todo e qualquer leitor, principalmente ao homem urbano, a estudantes, professores e aos amantes da literatura.

 

 


 

Leia nossa indicação e post “Quanto mais afirmações positivas fizer mais você pode atrair riquezas”

Siga nosso insta @PensarBemViverBem





Deixe seu comentário