O jeitinho brasileiro

O jeitinho brasileiro

Mario Sergio Cortella e um de seus excelentes textos sobre “Jeitinho Brasileiro”.




O jeitinho brasileiro gera orgulho em algumas pessoas e eventualmente também nos faz ser conhecidos fora do pais pela criatividade. Em universidades europeias, estudantes brasileiros foram reconhecidos em algumas situações pela criatividade e velocidade nas soluções apresentadas.

O jeitinho é a nossa capacidade de ter jogo de cintura, de não ficarmos amarrados dentro de uma situação. Aliás, a ideia de jeitinho se aprovima muito mais da expressão francesa savoir-faire, o saber-fazer, mais no sentido de molejo de cintura, do que, de fato, da mesma expressão em inglês, que é know-how. Embora as duas tenham o meso sentido, a ideia de savoir-faire dá certa malemolência, certo modo de driblar. Mas, por outro lado, essa ideia de jeitinho nem sempre é sinal de inteligência. Em muitos momentos, é um atalho arriscado, porque esse modo de driblar a norma raramente é indicador de flexibilidade.

Também pode ser um sinal de pouca aderência às regras de convivência coletiva. Colar é um atalho em relação a estudar; furtar é um atalho em relação a ter que trabalhar para obter o mesmo recurso; fingir, em vez de assumir, é um atalho, mas não é correto.

Então, entender nosso jeitinho como flexibilidade vale muito, agora, olhá-lo como uma forma de driblar aquilo que consiste na convivência, é ruim.

 

Mario Sergio Cortella

 

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Mario Sergio Cortella é um filósofo, escritor, educador, palestrante e professor universitário brasileiro mais conhecido por divulgar questões sociais ligadas à filosofia na sociedade contemporânea.

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