Nossa vida ao acaso

Mario Sergio Cortella e um de seus excelentes textos sobre “O acaso”.



A música “Epitáfio”, dos Titãs, diz que “O acaso vai me proteger”. A ideia de acaso é aquilo que não temos como organizar. Quando estamos entrando no final de semana, gostamos inclusive de pensar: “Amanhã eu não tenho de trabalhar, vou andar sem rumo”.

Essa era a ideia central do clássico filme Easy Rider, andar sem destino, como era usual nos de 1960 e 1970, apenas vivenciando as coisas que iam acontecendo, sem planejar, sem pensar, deixando o acaso tomar conta do dia a dia. É uma sensação gostosa em vários momento se imaginar sem amarras. Sair caminhando, aquele passeio vagamundo, de onde veio até a expressão “vagabundo” para o português. Aquele que vai caminhando sem rumo. Só que, para nós, a expressão vagabundo também tomou um conceito negativo.

Claro que não podemos ter o acaso como sendo o nosso horizonte. Afinal, a religião, a Filosofia, a Ciência, a Arte seriam impossíveis se contássemos com o acaso como sendo nossa referência.

Mas, vez ou outra, é preciso se entender a ideia, como diria o pensador francês George Bernanos, de que “o acaso é a lógica de Deus”.

O acaso é aquilo que faz com que encontremos aquilo que não estávamos vendo até obtendo prazer em não sermos marcados por um caminho que vai sempre na mesma direção, tal como um trem que não sai do espaço marcado pelos trilhos, chamado de bitola.

O acaso é quando deixamos de ser bitolados.

 

Mario Sergio Cortella

 

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Mario Sergio Cortella é um filósofo, escritor, educador, palestrante e professor universitário brasileiro mais conhecido por divulgar questões sociais ligadas à filosofia na sociedade contemporânea.

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