Literatura em forma de marchinha

Literatura em forma de marchinha

Mario Sergio Cortella e um de seus excelentes textos sobre “Literatura em forma de marchinha”.




A marchinha de carnaval pareceria um gênero onde não encontraríamos literatura expressiva. Mas a música popular brasileira tem poemas inacreditavelmente eruditos e belos.

Haja vista a obra de Cartola, as músicas feitas com a grande capacidade de Chico Buarque, Vinicius de Moraes. Mas também as marchinhas de Carnaval, que podem parecer uma obra mais solta( e é, de fato, mais frouxa, porque o sentido é a brincadeira de ficar cantando repetidamente), nos anos 30, 40, 50 do século XX eram peças importantes do cancioneiro popular e alegravam os carnavais.

Em 1952, a música que fez mais sucesso no carnaval foi a marchinha Confete. Essa música, composta pelo jornalista Davis Nasser, tem um verso inicial que eu acho memorável como forma de literatura. Tanto queu, quando me perguntam qual é o verso mais bonito da música popular brasileira, eu cito aquele que essa marchinha: “Confete, pedacinho colorido de saudade”.

Olha como é que cabe em poucas palavras uma ideia tão densa.

Confete, pedacinho colorido e saudade, daquilo que se viveu, daquilo que se teve, daquilo que se quer que continue com exuberância.

Mario Sergio Cortella

 

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Mario Sergio Cortella é um filósofo, escritor, educador, palestrante e professor universitário brasileiro mais conhecido por divulgar questões sociais ligadas à filosofia na sociedade contemporânea.

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