BONOBOS E CHIMPANZÉS COMUNS. SIMBOLICAMENTE, O QUE SOMOS COMO SERES HUMANOS?

BONOBOS E CHIMPANZÉS COMUNS. SIMBOLICAMENTE, O QUE SOMOS COMO SERES HUMANOS?

BONOBOS E CHIMPANZÉS COMUNS. SIMBOLICAMENTE, O QUE SOMOS COMO SERES HUMANOS?

 

A sublimação sexual é um mecanismo de defesa que é algo arraigado nos Seres humanos, mas também existente em outras espécies. Um exemplo disso são os bonobos (Pan paniscus). São chimpanzés, uma das duas espécies conhecidas. A outra espécie, os chimpanzés comuns (Pan troglodytes), tem características comportamentais bastantes distintas.




Enquanto os chimpanzés comuns criam ferramentas e digladiam para delimitar território, por comida, por hierarquia e outros elementos, os bonobos estabelecem as suas relações com atos sexuais. Quando os bonobos preveem algum conflito ou se excitam por qualquer motivo que seja, desde um simples barulho até uma ameaça real, fazem sexo de maneira rápida e imediata.

Esta reação nos faz perceber que podem ter, ao longo da sua evolução, descoberto uma forma de expulsar as pulsões que levam à luta e/ou fuga, transferindo-as para atos sexuais. Depois de terminados os atos sexuais, a aparente ansiedade some nos indivíduos acometidos por emoções provocadas pelo meio, que induziriam a preparação para fuga e/ou luta.

O problema dos bonobos é que eles usam qualquer indivíduo que esteja próximo. Assim, os atos sexuais são desmedidos; absolutamente sem limites e sem hierarquia. O mais ansioso toma a iniciativa e o outro a aceita tranquilamente. Para eles, o orgasmo é o único instrumento que os alivia da tensão comum.

O que é percebido é que ao sentirem os “hormônios do estresse”, buscam, por via de atos sexuais, os “hormônios do prazer”. Há a sublimação, que é o enfrentamento de perigos; de agruras reais, através da fuga da realidade, com sensações de extremo prazer, fazendo a existência parecer menos insuportável. Copulando indiscriminadamente em momentos de tensão, evitam se digladiar e, consequentemente, melhor perpetuam a sua espécie, evitando os transtornos de conflitos que levariam a mortes e lesões, fazendo o grupo mais fraco e ineficiente para sobrevivência e perpetuação da espécie.

Os bonobos nos demonstram que as pulsões de vida e morte, que nos levam à violência pela sensação de necessidade de autopreservação, para a preservação e perpetuação da própria espécie, estão intrínsecas em todos os seres, tal como o desejo de suprimi-la por levar a prejuízos reais. Isso nos demonstra que tais pulsões são extremamente ancestrais, pois uma espécie, como os bonobos, busca reagir a esta realidade, fugindo dela em busca de prazeres sexuais, para se tornarem mais pacíficos uns com os outros.

No entanto, esta “pulsão do guerreio”, que seria a pulsão de vida e morte (preservar a vida, mesmo que cerceando outras), apenas se modifica, mas sempre se faz presente em todas as espécies, desde as menos complexas, de proporções microscópicas, procariotas e unicelulares, até as mais complexas, como nós: os mamíferos Seres humanos.

No caso dos bonobos, há incesto, pedofilia, sexo grupal, estupro coletivo e tudo o que se possa imaginar em ato sexual, apenas para saciar a necessidade de um indivíduo ansioso.

Percebamos que a necessidade individual supera a social. A construção de uma regra de aceitação ao ato sexual, de maneira indiscriminada, dá aos indivíduos que desejam o ato, poder sobre o bem-estar ou não de todos. No caso da pedofilia, por exemplo, os mais jovens podem ser mortos por membros mais velhos, por exemplo, se a sensação de ansiedade atingir um grande número de indivíduos que, por repetição comportamental, muitos indivíduos machos podem se voltar a um indivíduo juvenil, independente do sexo, e violá-lo até a morte. Como o que se busca é evitar conflitos, muitos indivíduos adultos ansiosos poderiam entrar em confronto, caso um se voltasse ao outro e, entendendo que fossem machos, a pulsão maior seria como ativo na relação sexual e, por isso, perceberiam o indivíduo juvenil como melhor opção.

Temos a violência, a pulsão de vida e morte se manifestando. A autopreservação e da espécie, se tornam mais valiosas que a morte de um indivíduo mais fraco. Ao mesmo tempo, as ações são meramente individuais e, por isso, os mais frágeis perdem as chances de sobrevivência.

Os chimpanzés comuns possuem uma hierarquia mais complexa e os atos sexuais ficam para reprodução e, em poucas situações, para o prazer, como uma demonstração de dominação e posição hierárquica.

O uso da pulsão de vida e morte se torna mais eficiente no contexto social, do que o evitamento da mesma pelas pulsões sexuais para os chimpanzés comuns.

Outro fator é que os chimpanzés comuns têm mais desenvolvimento tecnológico e maior organização social que os bonobos.

O que nos leva a nos voltarmos à própria civilização humana. Povos com culturas voltadas ao prazer extremo, pereceram ao longo da História.

A tensão é o que leva a reação. Se percebemos os perigos e, ao invés de fugirmos da realidade com sexo, drogas e coisas do tipo, buscaremos resolver os problemas com soluções racionais, exatamente pelo nosso íntimo atávico nos exigir reações que nos preservem. Desta maneira, nos construímos fortes intelectualmente e com tecnologias cada vez mais avançadas.

Os chimpanzés comuns tem maior capacidade adaptativa, mesmo bonobos demonstrando, em muitas experiências, maior capacidade intelectual, no que se refere ao aprendizado e reação. O que isso quer dizer? Bonobos experimentados em laboratório estão fora de seu bando e não têm com quem copular e, por isso, destinam as suas pulsões aos problemas apresentados, nos demonstrando que as pulsões de vida e morte continuam existentes, e aparecem pelo fato da sublimação não ter como se materializar, pela falta de parceiros. E por qual motivo o chimpanzé comum costuma demonstrar menos interesse e acaba sendo considerado menos inteligente? Os chimpanzés comuns conseguem perceber melhor os perigos e a enfrentá-los com mais tranquilidade, de maneira estratégica. Por este motivo, aquilo que não se apresenta como ameaça ou grande vantagem, se torna desinteressante e os esforços aparentam menos eficiência. A questão é que a capacidade de perceber perigos e revidar, fez com que os chimpanzés comuns se tornassem mais capazes de perceberem que não devem desperdiçar energias. Os bonobos, por não terem a mesma capacidade, na busca de compreender se há um perigo ou um prazer; uma nova sublimação para substituir o ato sexual faltante, acabam se dedicando mais e tirando melhores notas, digamos simbolicamente assim.

Há uma fraude nos testes de coeficiente de inteligência. A inteligência ancestral quer preservar a espécie. Se o teste não proporcionar força suficiente para as pulsões reativas de autopreservação e preservação da própria espécie se manifestarem, os esforços se tornam menores e, os resultados, aparentemente inferiores ao que se esperava.

Os seres existentes em nosso planeta têm algo em comum: a autopreservação para a preservação e perpetuação da própria espécie. A única exceção é que em espécies mais complexas, podemos perceber os protetores se sacrificando pelos mais jovens, como se soubessem que os mais jovens têm mais a oferecer a espécie e ao Todo do que eles, que já deram o seu melhor.

Os bonobos se tornam cruéis com os fisicamente mais fracos, apenas para se preservarem, transformando as pulsões de vida e morte em sublimação. A intensidade da sublimação, leva à perda da percepção de causas e efeitos e, da mesma maneira que a ira, provoca danos pela ausência de noção de causas e efeitos (razão).

As pulsões têm algo em comum: retiram a percepção de causas e efeitos. Fazem o indivíduo, de qualquer espécie, agir de maneira incisiva. Nos humanos, por exemplo, a pulsão sexual é extremamente forte, exatamente para evitar que haja uma visão de causas e efeitos sobre as complicações de uma gestação e da criação de uma prole. Isso poderia comprometer a nossa reprodução e perpetuação. A ira, da mesma forma, arremessa um indivíduo em direção a outro de maneira violenta, para que possa se preservar, cerceando a vida do outro. Se houvesse racionalidade sobre as implicações de sucesso ou fracasso no combate, o indivíduo pensante poderia ser morto pelo que está movido pelas pulsões. Por isso, há a negação da razão nos momentos de fúria, até que seja percebido que o outro indivíduo não atacará. Quando há a percepção de que o outro não atacará, a ira diminui, ressalvando situações de vingança, que fazem o indivíduo com ira perceber que há mentira no outro indivíduo, e o faz querer atacar para se prevenir, se preservar e preservar a espécie, concomitantemente.

Os elementos ancestrais pulsionais levam a comportamentos extremamente distintos nas espécies, porém, pelos mesmos motivos. O conflito e a crueldade fazem parte da nossa existência, tal como das demais espécies. Como Seres humanos, até então, somos a espécie com maior noção de causas e efeitos, pois conseguimos vislumbrar, pelo mero pensamento, passado e futuro, dentro daquele lapso temporal que chamamos de presente, que nada mais é que um correr constante entre passado e futuro.

Não podemos negar a nossa ancestralidade e, por isso, ao nos enganarmos, tentando nos fazermos diferentes e cheios de pura bondade que criamos a ilusão de existir, apenas transferimos as nossas pulsões de ira para outras coisas e, concomitante a isso, sublimamos sexualmente e de outras formas, fugindo da realidade.

Para que evoluamos verdadeiramente, devemos abraçar a nossa ancestralidade comum a todos os seres e, controlá-la com a racionalidade refinada que temos melhor construída em nosso planeta, que é a humana. Assim, poderemos transformar estas energias ancestrais em coisas proveitosas ao longo do tempo corrente por vir.

O conhecimento gera autoconhecimento. O conhecer elimina as pulsões de reação por ameaças de maneira indiscriminada. As ameaças são aquelas coisas que não conhecemos ou conhecemos erroneamente. As que são verdadeiramente ameaças, possuindo conhecimento, poderemos evitá-las e/ou combatê-las. O autoconhecimento surge neste ponto, pois passamos a transformar em inutilidade pulsões vazias, mesmo que a potência continue, necessariamente existindo. Apenas acessaremos as nossas pulsões, quando a razão permitir.

Isso depende de nos aceitarmos e de pararmos de fugir de nós, como indivíduos e como espécie. Não somos espécies ruins ou boas, mas apenas espécie como outras, porém, com muito mais potência de evoluir intelectualmente. Quando alguém renega a própria espécie humana, está negando a si. Quando trata outra espécie intelectualmente inferior como superior, está apenas fugindo à realidade, pois com uma espécie inferior intelectualmente, o que haverá será mera dominação, transformando a outra espécie em uma imagem daquilo que seria tido como perfeito em outro Ser humano, mas sempre demonstrando características de superioridade, por mais que pareça haver pura benevolência. Por exemplo, compreender que cães são melhores que Seres humanos, se torna uma negação da espécie humana como essencial, transferindo toda a potência de proteção aos cães. Todas as espécies são parte integrante de um “super-sistema” existencial e, por este motivo, devemos tratá-las com o maior bom senso possível, tal como cautela e zelo. Mas dando, sempre, preferência à nossa espécie. É-nos absolutamente possível protegermos cães, gatos, sapos e Seres humanos em concomitância e harmonia. Jamais devemos nos negar ou nos colocar em segundo plano. Se assim fizermos, transferiremos as nossas pulsões de vida e morte à nossa própria espécie, usando outras como justificativa para as nossas crueldades com os da nossa espécie.

Vivemos no Brasil uma tentativa de “bonobonização” da sociedade, com ideias que levam ao mero prazer, fugindo dos reais transtornos existentes em nossa sociedade, buscando elementos sexuais como coisas fantásticas e negando a necessidade de revide violento nas situações que a própria dinâmica existencial exige. Simbolicamente, cabe a nossa sociedade se tornar como bonobos ou se manter como chimpanzés comuns que, mesmo com os seus conflitos, evoluem tecnologicamente e produzem menores danos aos da sua espécie, mesmo sendo beligerantes. Não somos bonobos, pois somos contra violência sexual, em essência. Somos chimpanzés, pois mesmo não desejando a violência, sabemos usá-la nas devidas medidas, em casos extremos. Noção de causas e feitos é o que evita que a necessidade de ações violentas, exatamente para que não haja exacerbação da violência, se tornem a própria exacerbação da violência. A ideologia de gênero, por exemplo, essa aberração de pensamento sem nenhuma base científica é um caminho para que nos transformemos em bonobos. Se os chimpanzés não revidarem, na devida proporção, todos serão “bonobonizados”, pois o prazer é a sensação máxima de segurança que um ser, de qualquer espécie, pode sentir. Se há prazer, há ausência de estresse, por mais fugaz que seja o prazer. Se nos permitirmos a fugacidade do prazer, bonobos seremos.

Corticoides nos são tão fundamentais como os “hormônios do prazer”. A nossa homeostase necessita de ambos. Ela evoluiu assim e, negarmos os “hormônios do estresse”, por nos iludirmos com a perfeição humana, vai contra a nossa própria natureza, seja biológica ou comportamental, pois mesmo parecendo coisas distintas, são a mesma coisa, manifestada de maneiras diferentes.

Autor: Carlos Alexandre Costa Leite

 

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