A filosofia sobre o “absurdo”

Mario Sergio Cortella e um de seus excelentes textos sobre “O absurdo”.



Parece estranho pensar sobre o absurdo. Mas o absurdo é o que nos movimenta em direção àquilo que não conhecemos, porque produz em nós espanto. Uma vida na qual o absurdo não tivesse lugar seria de uma calma mental, que poderia até nos confortar em relação à capacidade de não ser perturbado pela dúvida, pelo desconhecimento, pela ignorância.

No entando, o absurdo em várias situações é aquilo que deve ser enfrentado. No campo do Direito, da Ciência, da Tecnologia, é absurdo que não possamos ter uma sociedade sem violência. Não é absurdo tê-la. Existir hoje tal como é, até se compreeende. Agora, como não ter? É absurdo que algumas doenças não possam ser enfrentadas.

Quando nós entendemos o lugar do absurdo no nosso dia a dia, ele é um grande obstáculo e, portando, um objetivo para ser desabsurdado – para usar uma expressão que não existe. Isto é, ser transformado em algo que não produza mais espanto, que não estonteie, que não entorpeça ou que não nos provoque a procurar uma outra posição.

Nosso poeta Ledo Ivo nos lembrava que “o absurdo é o sal da vida”, o que dá tempero ao nosso dia a dia.

É claro que o sal tem uma dupla finalidade: serve para conservar, para guardar, permitir que não apodreça e, de outro lado, permite dar certo paladar às coisas, para que não se tornem insípidas, sem sabor.

Uma vida sem o absurdo seria insípida. O absurdo nos espanta, nos estonteia, mas, essencialmente, nos provoca.

 

Mario Sergio Cortella

 

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Mario Sergio Cortella é um filósofo, escritor, educador, palestrante e professor universitário brasileiro mais conhecido por divulgar questões sociais ligadas à filosofia na sociedade contemporânea.

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